Operadoras de Telecom Adotam Modelos de IA Abertos para Personalização e Controle
As operadoras de telecom estão construindo cada vez mais suas estratégias de inteligência artificial (IA) em modelos abertos para aprimorar a confiança, o controle e a personalização em cargas de trabalho críticas, incluindo redes autônomas e atendimento ao cliente. Isso marca uma mudança estratégica em relação à dependência exclusiva de soluções de IA proprietárias.
Evidências e contexto
De acordo com o relatório State of AI in Telecommunications da NVIDIA, lançado em 6 de outubro de 2026, 89% das empresas de telecom pesquisadas reconheceram a importância dos modelos e softwares de código aberto em suas estratégias de IA. Esses modelos permitem que as operadoras ajustem a IA para tarefas específicas do domínio usando dados proprietários de rede e de clientes, ao mesmo tempo em que abordam preocupações com privacidade e conformidade. O relatório destaca que os modelos abertos não são apenas econômicos, mas também oferecem maior flexibilidade operacional.
Grandes players do setor, como SoftBank Corp. e Indosat Ooredoo Hutchison, estão aproveitando frameworks de IA abertos para desenvolver modelos específicos para telecom. O Large Telecom Model da SoftBank, por exemplo, é desenvolvido com base no framework Nemotron da NVIDIA para avançar as operações e o gerenciamento de redes. Da mesma forma, a família Sahabat-AI da Indosat adapta a IA a idiomas locais e contextos culturais na Indonésia, demonstrando o papel dos modelos abertos em viabilizar a inovação localizada.
Além da personalização, os modelos abertos proporcionam às operadoras controle operacional e governança. Por exemplo, a AT&T enfatizou a importância de alinhar os fluxos de trabalho de IA com as prioridades de negócio. Andy Markus, diretor de dados e IA da empresa, afirmou que "os modelos abertos são essenciais" para implementar uma abordagem flexível e governada da IA. O modelo OTel 2.0 da AT&T, construído com 400 bilhões de tokens específicos de telecom, exemplifica como os frameworks abertos podem ser adaptados para tarefas específicas do setor.
A NVIDIA desempenha um papel fundamental na facilitação dessa mudança por meio de sua família de modelos abertos Nemotron e ferramentas de suporte como as bibliotecas NVIDIA NeMo. Esses recursos permitem que as operadoras de telecom adaptem modelos abertos para tarefas como configuração de rede, triagem de incidentes de clientes e operações autônomas. Além disso, o recente lançamento do Nemotron 3 Large Telco Model, ajustado em conjuntos de dados de telecom, promete maior precisão para casos de uso específicos do setor.
Por que isso importa
A tendência em direção a modelos de IA abertos reflete a necessidade das operadoras de telecom por soluções que possam ser personalizadas e governadas, ao mesmo tempo em que reduzem a dependência de fornecedores proprietários. Essa abordagem híbrida permite que as operadoras equilibrem custo, desempenho e controle. Embora modelos proprietários ainda possam dominar determinadas aplicações em tempo real, os modelos abertos são cada vez mais preferidos para tarefas que exigem adaptação específica do domínio e conformidade com regulamentações de privacidade.
À medida que as estratégias nacionais de IA enfatizam a inovação localizada, os modelos abertos também permitem que as empresas de telecom ofereçam serviços personalizados a mercados diversos. Por exemplo, o Sahabat-AI da Indosat ilustra como a IA aberta permite que países como a Indonésia desenvolvam soluções de IA alinhadas com idiomas locais e requisitos culturais.
A adoção de modelos de IA abertos ressalta uma tendência mais ampla no setor de telecomunicações: aproveitar tecnologias flexíveis e transparentes para atender às necessidades operacionais e regulatórias em evolução. Com os avanços contínuos nos frameworks de IA abertos, as operadoras de telecom estão bem posicionadas para escalar essas soluções em fluxos de trabalho de produção, impulsionando a eficiência e a inovação em todo o setor.